Que pavimento tenho e como devo limpá-lo
Identificar um pavimento é o primeiro passo para o limpar sem o estragar. Antes de escolher o detergente, o disco ou a máquina, convém saber que tipo de superfície tem à frente. Um mármore e uma placa vinílica parecem ambos "chão", mas reagem de forma oposta ao mesmo produto. Neste guia reunimos os pavimentos mais comuns em edifícios, escritórios, hotelaria, ginásios e indústria, com o método de limpeza e manutenção adequado a cada um.
Como classificar um pavimento
A primeira classificação prática faz-se por três critérios, os mesmos que determinam o produto e o equipamento a usar.
Pela superfície que apresentam
- Lisos: mármore, saipolan, azulejo esmaltado, terraço, etc.
- Rugosos: ardósia, grés rústico, barro, etc.
Pela resistência a agentes externos
- Duros: terraço, mármore, etc.
- Moles: saipolan, linóleo, parquet, alcatifa, cortiça, etc.
Pela origem do material
- Pedra natural: granito, ardósia, calcário.
- Pedra artificial: terraço, marmorite, cimento, betão.
- Cerâmicos: barro, grés normal, grés vitrificado, terracota.
Pavimentos duros
Dentro dos pavimentos duros distinguem-se dois grupos, em função do tratamento que admitem: cristalizáveis e não cristalizáveis. Esta distinção é decisiva, porque determina se o pavimento aceita ou não um tratamento de cristalização.
Pavimentos duros cristalizáveis
São os que contêm calcite, mineral indispensável para que se produza a reação química com os fluossilicatos e a superfície cristalize. São muito sensíveis a substâncias ácidas.
Mármore. Blocos naturais de rocha calcária, compostos basicamente por carbonato de cálcio e outros óxidos metálicos responsáveis pela cor, veios e estrias. Destacam-se pela longevidade e pela beleza. Resistem ao desgaste, embora se risquem com facilidade. São sensíveis aos ácidos e suportam bem a água. Existe uma grande variedade de mármores naturais, e também mármores artificiais (marmorite) em placas, fabricadas com pó e fragmentos de mármore de diferentes granulometrias e cimentos especiais. Têm características semelhantes, mas qualidade inferior.
Pedra calcária. Blocos naturais parecidos com o mármore, mas de origem e formação distintas. São mais veteadeiros e as propriedades muito semelhantes às do mármore. Aparecem com frequência concentrações salinas à superfície (manchas). Têm dureza inferior, o que os torna mais sensíveis a determinadas operações de limpeza.
Terraço. Composto por uma base de cimento com uma certa espessura. Sobre ela assenta um material aglomerante com fragmentos de mármore, onde o fluossilicato se fixa ao cristalizar.
Atenção: a porcelana de aspeto tipo terraço não deve ser confundida com o terraço. Não pode ser polida por cristalização. A reação química deixa o pavimento enegrecido.
Pavimentos duros não cristalizáveis
São os que não contêm calcite e, portanto, não reagem ao tratamento com fluossilicatos. Aqui, o caminho correto é a proteção superficial e a manutenção adequada ao material, não a cristalização.
Granito. Blocos naturais compostos por três minerais: quartzo, feldspato e mica. A cor mais frequente é o cinzento, mas há grande variedade: rosado, esverdeado, etc. São de grande dureza e apresentam grande resistência a ações mecânicas e químicas. Não são porosos e, por isso, a resistência à água é muito alta. Pela sua própria natureza são muito difíceis de polir por brilho químico: apenas se melhora o aspeto por abrasão ou polimento mecânico, onde o abrasivo (diamante) e a máquina utilizada são determinantes.
Cerâmicos (grés). Grupo de pavimentos fabricados à base de barro com outros elementos e diferentes graus de cozedura, dos quais resultam inúmeros acabamentos e características. São muito resistentes aos detergentes, mas os produtos ácidos podem atacar as juntas de cimento que os unem.
- Ladrilhos: resistentes ao desgaste, embora apresentem alguma porosidade. Fabricam-se em moldes para conseguir formas e relevos distintos. Podem ser envernizados.
- Azulejo: ladrilhos revestidos por um esmalte, ficando a superfície vitrificada, com aspeto semelhante ao vidro. São totalmente impermeáveis, mas sensíveis aos impactos.
- Ladrilhos de barro cozido: de qualidade inferior, menos resistentes e mais porosos. Em ambiente húmido aparecem eflorescências (sais que formam manchas esbranquiçadas). Apresentam-se em vários tons, do vermelho ao acastanhado, com aspeto mate ou brilhante.
- Grés: mistura de barros, areia e silicatos submetida a grande pressão e altas temperaturas (cerca de 900 °C), originando ladrilhos de grande dureza. Muito resistentes ao desgaste e à corrosão.
- Mosaico hidráulico: base de cimento e areia com cerca de metade da espessura total, uma segunda camada de cimento e, por cima, uma camada esmaltada de diferentes tons, desenhos e estrias. Resistem ao desgaste e aos produtos químicos, mas endurecem ao contacto com a água. Com pigmentos obtêm-se várias tonalidades. Apresentam alguma porosidade e são sensíveis a produtos químicos agressivos.
- Grés vitrificado: o esmalte superficial, após cozedura, forma uma camada cristalina que dá ao ladrilho um acabamento brilhante e muito suave. Isso torna-o pouco resistente a impactos e difícil de manter bem lavado.
Ardósia. Pedra natural composta por mica, clorite, quartzo e barro, de grão fino, formada em camadas que se separam com facilidade (sedimentar). Usam-se sobretudo as de tom cinza-azulado ou preto. Instalam-se com acabamento rústico ou polido. Não podem ser cristalizadas, mas existem emulsões acrílicas e vernizes específicos para ardósia. Também admitem tratamento manual com óleos minerais. Não se limpam com substâncias abrasivas, muito alcalinas (pH > 9) nem dissolventes: apenas detergentes neutros.
Pavimentos moles
Pavimentos moles elásticos
- São pavimentos moles, de fabrico sintético, que por vezes incorporam tratamentos protetores superficiais e que apresentam muito boa resistência ao uso e ao trânsito de pessoas.
- Encontram-se em ladrilhos ou em rolos e aderem ao suporte com adesivos e colas.
- Se incorporam proteção e esta se deteriora com o uso, o pavimento torna-se poroso, a sujidade acumula-se de forma significativa, a higiene piora, a vida útil encurta e o aspeto degrada-se rapidamente.
- Aplicam-se-lhe diferentes processos de proteção, conforme o desgaste previsto.
- Caracterizam-se pela resistência à água e ao desgaste e pelo valor decorativo. São muito usados em coletividades: hospitais, instalações administrativas, escolas.
PVC vinílico
Constituído sobretudo por PVC (cloreto de polivinilo) e também designado por termoplástico, já que as peças de rolo ou ladrilho se podem unir entre si por termossoldadura. Apresenta-se numa grande variedade de tonalidades, desenhos e relevos. Marca-se com o calor ou com uma agressão mecânica, como um golpe ou arrastar um objeto com algum peso.
O PVC, se não vier selado de fábrica com PU (poliuretano), é um material muito poroso. Para garantir que não absorve líquidos nem sujidade, deve selar-se com emulsões sintéticas (acrílicas ou metálicas).
É muito resistente ao pisoteio e aos produtos químicos, mas não resiste a dissolventes orgânicos. Limpa-se com detergentes neutros (à mão) ou com discos vermelhos/verdes em máquinas de alta velocidade. O brilho obtém-se pelo método "spray" ou a seco com máquinas UHS. Os restos de emulsão removem-se (decapanse) com decapantes alcalinos.
São flexíveis, impermeáveis e de resistência limitada a alguns produtos. Alguns eliminam cargas eletrostáticas e usam-se em salas onde a eletricidade é um problema. A folha de vinilo tem espessura inferior a meio centímetro, mas distingue-se facilmente a face inferior da superior pelo brilho e pela textura. A sua aplicação principal é o revestimento de pavimentos. São formados por uma mistura de resinas e outros materiais, endurecida termicamente a temperatura muito elevada; uma vez arrefecido, não se deformam. É um material de grande resistência.
Por ser flexível, pode dobrar-se para cobrir cantos e uniões entre pavimento e parede.
Saipolan
O saipolan é um pavimento em ladrilhos, semelhante ao PVC, mas mais resistente e duro: suporta melhor o trânsito e as manchas e marcas limpam-se melhor. É não poroso e de manutenção muito simples, com as uniões entre ladrilhos termossoldadas a garantir a impermeabilidade.
- Protege-se e limpa-se da mesma forma que o PVC.
- Praticamente já não se instala: apesar das vantagens, é menos flexível que o PVC normal e, por ser colocado em ladrilhos, as esquinas acabam por partir, já que o material fica quebradiço.
Que produto usar em cada pavimento
A regra prática que evita a maior parte dos erros é simples: identificar o material, verificar se é sensível a ácidos e a álcalis, e só depois escolher o produto.
- Pavimentos calcários (mármore, calcário, terraço): nunca com produtos ácidos. Limpeza com detergente neutro e, se o pavimento é cristalizável, tratamento de cristalização específico.
- Granito e ardósia: detergentes neutros, sem abrasivos. Para brilho, apenas polimento mecânico com o abrasivo adequado.
- Cerâmicos e grés: toleram bem os detergentes. Cuidado com os ácidos, que atacam as juntas de cimento.
- PVC, saipolan e vinílicos: detergente neutro e, para recuperar brilho, decapagem com decapante alcalino seguida de nova camada de emulsão protetora. Nada de dissolventes orgânicos.
- Pavimentos porosos ou com proteção degradada: primeiro selar com emulsão sintética, depois manter com o método de brilho escolhido.
Manutenção: como preservar o resultado
A limpeza diária resolve a sujidade superficial, mas não substitui o plano de manutenção. Num pavimento profissional, o que marca a diferença a médio prazo é a combinação de três coisas.
- Produto correto por material. Um detergente neutro bem doseado evita a maior parte dos problemas, inclusive nos pavimentos mais sensíveis.
- Equipamento adequado. Discos, esfregões e máquinas de limpeza certos por tipo de superfície, com a escolha do disco a acompanhar a fase: decapagem, limpeza ou brilho.
- Periodicidade definida. Uma entrada com trânsito intenso não se mantém com o mesmo intervalo de um armazém. A frequência deve constar do caderno de encargos do serviço.
Em pavimentos vinílicos, o ciclo completo é: decapagem da emulsão antiga, limpeza com detergente neutro, secagem e aplicação de nova emulsão. Em pavimentos calcários cristalizáveis, o ciclo passa pela cristalização periódica para recuperar o brilho sem desgastar o material.
Perguntas frequentes
Posso usar lixívia num pavimento de mármore?
Não. O mármore, o calcário e o terraço são materiais calcários e muito sensíveis aos ácidos e a produtos agressivos. A lixívia e os desincrustantes ácidos atacam a superfície e deixam-na baça ou manchada. Em pavimentos calcários, o correto é detergente neutro.
Como sei se um pavimento é cristalizável?
Se contém calcite, cristaliza. Na prática, é cristalizável tudo o que seja mármore, calcário ou terraço. O granito, a ardósia e os cerâmicos não o são, e neles o brilho só se obtém por polimento mecânico ou com vernizes e emulsões específicas.
O que fazer quando a proteção de um pavimento vinílico se gasta?
Quando a camada protetora se deteriora, o pavimento fica poroso e absorve sujidade. Nesse caso não basta limpar: é preciso decapar os restos de emulsão com um decapante alcalino e aplicar uma nova emulsão, acrílica ou metálica, conforme o brilho pretendido.
Porque é que o grés vitrificado é difícil de lavar bem?
Porque a camada cristalina do esmalte, apesar de muito suave e brilhante, torna o pavimento pouco resistente a impactos e difícil de deixar com bom acabamento na lavagem. Convém usar disco adequado e detergente bem doseado, evitando abrasivos fortes.
Detergente neutro serve para todos os pavimentos?
É a opção mais segura em praticamente todos, sobretudo nos sensíveis. Em pavimentos muito sujos ou com proteção antiga, o mais eficaz não é aumentar a agressividade do produto, mas trabalhar por fases: decapar, limpar e proteger de novo.
Com que frequência devo fazer a manutenção completa?
Depende do tráfego. Em zonas de entrada com circulação intensa, o ciclo de decapagem e reproteção pode ser necessário várias vezes por ano. Em armazéns ou zonas de pouco trânsito, o intervalo é maior. O critério é o estado real do pavimento, não o calendário.
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